7 dias para praticar o consumo consciente, inclusive de informações!

Li uma reportagem em que a pessoa dizia que estava gastando muito tempo comprando, mas, mais ainda se livrando dos excessos. Separar, catalogar, organizar, pensar em tudo o que havia consumido, estava justamente consumindo tempo demais de sua corrida rotina. A pessoa então, começou a pensar em doar mais, comprar menos e investir mais. Porém, isso consumiu muito tempo e dinheiro antes que a conscientização chegasse à sua vida.

Esta situação despertou o meu interesse em escrever sobre o consumo exagerado. Não sou uma expert nos assuntos de sustentabilidade, sobre quanto tempo cada material leva para se decompor e sobre a parte mais operacional e técnica do tema. Porém, sou expert em comportamento humano e, estudando isso há mais de 20 anos, acredito que possa falar sobre quanto o consumo exagerado também diz sobre nossas emoções, sentimentos e comportamentos.



Cada qual, em seu processo terapêutico e de autoanálise, pode entender o que significa o processo de compra.

Eu compro quando estou triste? Eu consumo mais quando recebo boas notícias, eu sei gastar com consciência, eu sei investir? Enfim, são vários os motivos conscientes e inconscientes pelos quais as pessoas gastam, poupam, guardam, são mais ou menos sovinas.

Tive um paciente que comprava sempre que discutia com a mãe, como tinha discussões frequentes, vivia endividado. O que parece fácil de ser diagnosticado, levou bastante tempo para sair do inconsciente e acessar à consciência, um pouco também de tempo para ser trabalhado e compreendido.

Pensando agora no consumo não material, falando de emoções, sentimentos, carreira, comportamento, o que você tem consumido? Qual a qualidade dos pensamentos que têm tido? Quais as informações que tem deixado chegar à sua vida, o que tem consumido em termos de conteúdo externo? Em sua carreira, seu tempo tem sido gasto de que forma? Com fofocas no escritório, conversas de bastidores no café? Ou você tem empregado tempo na sua própria formação, aumento de performance e aprendizado?

Com a rotina corrida, muitas vezes não percebemos. Quanto celular o seu filho tem consumido? É mais fácil e assim ele se acalma? Vilma Medina, diretora do site Guia Infantil nos fornece uma lista com 10 motivos pelos quais não devemos ofertar smartphones para crianças menores de 12 anos. Dentre eles, destaco apenas 2 que escrevo na íntegra como na reportagem:

1 – Desenvolvimento cerebral das crianças

Um desenvolvimento cerebral causado pela exposição excessiva às tecnologias pode acelerar o crescimento do cérebro dos bebês entre 0 e 2 anos de idade, e juntamente com a função executiva e o déficit de atenção, atrasos cognitivos, problemas na aprendizagem, aumento da impulsividade e da falta de controle (birras).

2 – Atraso no desenvolvimento da criança

O excessivo uso das tecnologias pode limitar o movimento e consequentemente o rendimento acadêmico, a alfabetização, a atenção e capacidades.

Pensando nisso, quanto tempo de qualidade você têm passado com seus filhos a ponto de não precisar do celular para ser a babá dos sonhos?

Quanto tempo de qualidade tem passado com sua família, esposo/a e amigos?

O Jornal da Band divulgou uma reportagem em 09/2017 sobre o quanto o celular influencia as relações, veja:

 

http://https://www.youtube.com/watch?v=CeM78o781B4

Para pensar sobre o tema foi até cunhada uma expressão: Phubbing, que foi criada pela Macquarie Dictionary a partir das palavras snubbing – esnobar e phone – telefone que designa o ato de ignorar uma pessoa usando o telefone como desculpa.



A imagem abaixo, do site willingness.com pede que deixemos o celular no bolso e aproveitemos o mundo real:

Além da questão do afastamento que os celulares causam, qual a qualidade das informações que temos consumido?

Não estou apenas falando de perder tempo e deixar de ter contato humano para estar ao telefone, mas, pelo que estamos trocando tudo isso? Por qual tipo de dado estamos sendo engolidos?

Claro que o telefone, a tecnologia, são muito importantes e facilitam a vida, mas, da mesma forma que talvez não seja necessário comprar 4 blusas iguais de cores diferentes talvez também não seja consumir vários aplicativos e dar conta deles ao longo do dia.

Na revista Claudia de 20 de março de 2018, uma matéria em seu site cita que: “Para 49% dos jovens, celular é “melhor amigo” – foram entrevistados 4.418 usuários com idade entre 16 e 65 anos de quatro países (Brasil, França, Estados Unidos e Índia). ”

Qual o exemplo que estamos passando para nossos jovens quando falamos de consumo material e consumo de informações?

É alarmante pensar que algo material esteja ocupando o lugar de um verdadeiro amigo e da riqueza que esta relação traz.

Apresentado o problema, eu gostaria de pensar um pouco nas soluções. O que fazer para consumir informação de qualidade e gastar o tempo adequado com a tecnologia?

Aqui seguem 7 dias:

  1. Pratique o hábito da leitura e tenha o livro como uma fonte de conhecimento e de relaxamento; busque não apenas livros técnicos, que ensinem sobre diferentes áreas do seu interesse, mas, textos que te levem a imaginar outros cenários, situações e que possam fazer com que você se sinta relaxado.
  2. Assista a filmes e documentários que envolvam toda a família, que levem diversão e tranquilidade. Convide amigos para ir ao parque, tomar um café, conversar.
  3. Consuma notícias de fontes confiáveis, as “fake news” além de alarmarem somente, fazem com que você gaste tempo e dados do seu celular, não levando nenhum verdadeiro conhecimento à sua mente.
  4. Deixe o celular em casa e vá caminhar, aproveite para praticar meditação ativa, observando o caminho, a sua respiração e seus passos.
  5. Ofereça às crianças brinquedos manuais, de montar, encaixar, jogar, aqueles com os quais elas possam se entreter e também aprender. Aqueles que usávamos quando somente existia “máquina de escrever”.
  6. Estabeleça um horário (e cumpra) para o uso diário do celular. Passado o tempo, obrigue-se a se entreter com outros interesses, como fazer aquele curso de culinária que você deseja tanto mas vem adiando, aquela prática de Yoga que fará bem para sua saúde ou visitar uma Biblioteca e conhecer novos temas (e novas pessoas!). Com o tempo, a obrigação vira hábito e prazer!
  7. Faça terapia, busque processos de autoconhecimento e autodesenvolvimento para compreender mais o que e porquê você escolhe determinado conteúdo para consumir. Conheça mais de você mesmo e suas motivações!

“Dê à sua mente algo para mastigar, para que ela não mastigue a si mesma.”  Yehuda Berg.

Consuma consciente tanto coisas materiais, quanto informações e tempo! Certamente você será mais feliz!

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Se for copiar, dê crédito à autora (eu!).

#LucianeVecchioConsultora

Consulte mais artigos em: https://www.lucianevecchioconsultora.com.br/blog



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