A maldição do mês de maio e algumas dicas para “se benzer”

Era uma quinta-feira. No dia 18 de maio de 2017, vivemos o que ficou conhecido no mercado financeiro como “Joesley Day”.

Os áudios vazados envolvendo o Presidente da República e os homens fortes da JBS, entre eles Joesley Batista, trouxeram uma volatilidade histórica ao mercado, acionando o primeiro circuit breaker desde as quedas da crise de 2008. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 8,8%, a maior desde 2008 e o dólar fechou em alta de 8,15%.



Um ano após a data histórica, o mês de maio se apresenta, mais uma vez, como um mês de stress para o mercado, marcado por alta volatilidade. No cenário internacional, o senhor de cabelo laranja deixou todos de cabelo brancos.

O jeito “Trump” de ser e a relação dos EUA com as Coreias, a China e o Irã trouxeram uma forte volatilidade ao mercado internacional, que observa atentamente se os juros americanos serão aumentados mais rápido do que previsto.

No Brasil, o mercado esperava um novo corte da taxa básica de juros e o COPOM surpreendeu a todos, mantendo a SELIC em 6,5% aa. E adivinha? Surpresas também geram volatilidade.

Como se não bastasse, vivenciamos nos últimos dias uma greve histórica. A greve dos caminhoneiros deixou nossas ruas vazias, nossos postos sem combustíveis, os mercados sem legumes e, de quebra, ajudou as ações da Petrobrás a despencarem, piorando a situação da Bolsa que já era de queda.  Na última semana, o Ibovespa caiu mais de 10%.

Reforça a “maldição”, o adágio americano “Sell in May and Go Away”, uma estratégia dos investidores americanos, que consiste em vender suas ações em maio e recomprar em meados de novembro, evitando o período de maior volatilidade do mercado americano, quando se tem as férias de verão no hemisfério norte. Basicamente, os magnatas vendem suas ações, colocam dinheiro no bolso e vão gastar o que ganharam nos Hamptons.

Por óbvio, esse movimento cultural influencia o mercado brasileiro: vale lembrar que os gringos representam 50% do volume negociado na Bolsa e olhando o histórico do Ibovespa, podemos notar que, nos últimos 10 anos, o índice subiu apenas duas vezes em maio.

Mesmo com isso tudo, – muita calma – o mês de maio não é um mês necessariamente amaldiçoado. Quando falamos de mercado financeiro, temos sempre que considerar uma série de variáveis e, ainda assim, saber que nunca conseguiremos prever exatamente o que irá acontecer.

Mas, claro, fica a curiosidade sobre esse mês misterioso, em que, especialmente nos últimos dois anos, tivemos acontecimentos altamente dramáticos e imprevisíveis. Um prato cheio para quem gosta de superstições.

A solução? Não existe nenhuma receita de bolo, mas existem algumas dicas práticas que podemos tirar de lição diante de tudo isso:

  • Conheça bem o seu perfil de risco e, caso não se sinta confortável com situações de flutuações, opte por investimentos menos voláteis.
  • Diversifique sua carteira de investimentos. A frase é velha, mas vale a repetição: não se coloca todos os ovos em uma só cesta. Essa lógica também vale para investimentos conservadores. Se você só investe em renda fixa, por exemplo, sinto te dizer, mas todos os seus ovos estão na cesta dos “juros brasileiros”. Em um momento de baixa SELIC como agora, é possível – e provável – que seus investimentos não estejam rendendo tão bem quanto você imaginou!
  • Saiba sempre o que está fazendo e não se baseie em achismos. Quando se trata do seu dinheiro, o assunto é muito sério. Conte com a ajuda de um assessor de investimentos e se esforce para entender um pouco mais sobre esse universo. Caso ache que isso não é para você, torna-se ainda mais importante ter um profissional de confiança para te ajudar.

Para concluir o texto, cabe uma máxima do mercado financeiro: lembre-se que, mesmo em “maios”, há sempre alguém ganhando dinheiro no mercado. Vale, então, se preparar para segurar os momentos de stress e até, quem sabe, tirar bom proveito deles.