Fundos multimercados sem “economês”

Se você chegou até aqui, provavelmente está querendo entender um pouco mais sobre o universo dos investimentos. E, para isso, a internet é realmente maravilhosa. Se você buscar “fundos multimercados” no Google, achará artigos detalhados, explicando todas as minúcias da categoria.

Só que durante a experiência com meus clientes, tenho visto que poucas são as pessoas interessadas nesses detalhes. Basicamente, o investidor quer saber “quanto rende” e “qual o risco”.



Por isso, nesse artigo, explicarei simplesmente essas duas questões. Caso você esteja dentro da minoria detalhista, fique à vontade para pesquisar no Google, mas te garanto que você vai querer ler esse texto antes.

Outro ponto importante: se você não faz ideia do que é um fundo de investimento, esse texto não é o mais indicado para você. Prometo escrever sobre isso em breve, mas de novo, o Google está aí. Corre lá e volta.

Então, vamos lá!

Quanto rende e qual o risco?

Depende. Desculpa te desapontar logo de cara, mas eu preciso te explicar o mínimo sobre o que é um fundo multimercado.

O fundo multimercado é um fundo que, diferente das outras categorias, tem liberdade total para decidir suas estratégias. Ele pode operar, ou seja, investir em moedas, juros, bolsa de valores e por aí vai. Por isso, eles são bem complexos.

Lembro de um evento que participei em que o gestor do fundo abriu um pouco sobre sua posição: basicamente, ele estava esperando um aumento dos juros na Turquia, a desvalorização da moeda da Rússia – o rublo russo – e a valorização da coroa sueca (complexo, né?), em função de variáveis que nem o mais assíduo telespectador do Jornal Nacional poderia saber.

Mas nem todos os fundos multimercados têm tanta complexidade. Alguns fazem estratégias bem mais simples…

Nas reuniões com meus clientes, eu costumo explicar que existem 4 tipos de fundos multimercados, mas antes, tenho que destacar:

  1. Essas classificações não existem legalmente falando (não é uma classificação oficial). Eu, por exemplo, nunca vi ninguém as usando.
  2. As dicas que eu dou para você identificar a categoria e os objetivos de rentabilidade não são regras.

Ou seja, é uma classificação bem básica e quase que empírica da experiência na assessoria de investimentos, que costuma ajudar o investidor a se localizar, mais do que saber o que é um Fundo Macro, Long Short e uma série de “economês” que vemos por aí.

Outro detalhe: esses fundos costumam usar a taxa CDI como medida de comparação. Numericamente, ela é similar à SELIC.



Dito isso, vamos a elas:

  1. Fundo Multimercado Conservador: o objetivo dessa categoria seria entregar de 110% a 120% do CDI. Esses fundos são boas opções especialmente quando os juros estão baixos (caso do Brasil nesse exato momento). De maneira geral, a estratégia dessa categoria é aplicar a maior parte dos recursos em renda fixa e separar uma parte para ser melhor que ela. Normalmente, conseguem. Conservador, simples e eficiente.

Como você identifica: veja o gráfico dos últimos 3 anos do fundo. Provavelmente será uma linha quase reta, com algumas flutuações. Veja se a volatilidade dos últimos 3 anos fica em até 1,5%. Geralmente, são chamados de “*Nome da Gestora* Institucional”.

2. Fundo Multimercado Moderado/Conservador: bem parecido com o primeiro, mas tende a sofrer mais em momentos ruins para o mercado internacional ou nacional. O objetivo da categoria seria entregar algo entre 115% a 130% do CDI. Esse fundo tende a superar a renda fixa e a primeira categoria no médio e longo prazo. Não aplique nele se pretende resgatar o dinheiro em menos de 9 meses.

Como você identifica: o gráfico desse fundo já não é tão reto. Você vai ver que, em maio de 2017, por exemplo, ele provavelmente teve uma queda e continuou subindo depois. Veja se a volatilidade dos últimos 3 anos fica em até 4%. Eles também podem ser chamados de “*Nome da Gestora* Institucional”.

3. Fundo Multimercado Moderado/Agressivo: agora o negócio está começando a ficar bom. Esse fundo já arrisca um pouco mais e busca retornos mais expressivos no longo prazo. O objetivo seria algo em torno de 130% a 150% do CDI. Eles são uma ótima oportunidade de diversificação para quem está começando a se interessar por mais riscos e maiores retornos: um cartão de entrada. Só aplique nesse tipo de fundo se pretende deixar o recurso investido por mais de 1 ano.

Como você identifica: o gráfico desse fundo já é mais volátil. Você vai ver que, em maio de 2017, por exemplo, ele provavelmente teve uma queda maior que o da categoria b. Veja se a volatilidade dos últimos 3 anos fica em até 6,5%. Geralmente, os fundos que têm o nome de “Macro” são dessa categoria.

4. Fundo Multimercado Agressivo: and now, we’re talking. Nessa categoria, os fundos costumam ter participações mais efetivas nas bolsas de valores e outros ativos de risco. Podem ser tão ou até mais arriscados que fundos de ações, mas prometem uma rentabilidade muito interessante no longo prazo. Alguns sequer usam o CDI como comparação, então fica difícil destacarmos um objetivo em relação à taxa. Talvez, entre 160% a 180% do CDI. Esse investimento é exclusivamente para investidores moderados e agressivos e não deve ser feito se você planeja resgatar em menos de 1 ano. Porém, o ideal é que você não vá precisar do dinheiro, ou seja, poderia deixar 2, 3, 5 anos no fundo. Nesse cenário, o investimento – quase certamente – valerá a pena.

Como você identifica: o gráfico desse fundo já é bem mais “sobe-desce”. Em maio de 2017? Provavelmente, ele despencou e se recuperou muito bem depois. Em janeiro de 2018, ele também deve ter ido muito bem (checa lá).

A volatilidade dos últimos 3 anos provavelmente está acima de 6,5% e alguns fundos podem chegar até 20%. Os fundos que tem o nome de “Macro” também podem ser dessa categoria.

Conclusão

Sabe aquele seu amigo gênio que fez economia? O gestor desses fundos era esse cara, só que agora ele tem mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro. E a boa notícia é que você pode confiar o seu dinheiro a ele, respeitando os riscos que você deseja assumir.

Segundo a ANBIMA, a associação que regula e fiscaliza os fundos de investimento no Brasil em conjunto com a CVM, a indústria de multimercados captou R$ 90 bilhões nos últimos 12 meses e esse número tende a crescer, já que as pessoas seguem em busca dos “1% ao mês” que a renda fixa no Brasil já deu e não dá mais.

Essa migração para os multimercados pode ser, sim, positiva, mas fique atento à volatilidade que deseja aos seus investimentos.

Na dúvida, procure um profissional e peça ajuda. Explique o que você busca, o que você está acostumado a investir e ele conseguirá te ajudar de forma mais personalizada.