Há pouco mais de um ano tenho acompanhado um projeto de tecnologia realizado com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A TF8, uma das novas startups brasileiras de desenvolvimento de tecnologia, que já é referência nacional antes mesmo de lançar seus produtos, está desenvolvendo junto à instituição um cofre inteligente, que possuirá inteligência artificial e será totalmente integrado à automação do imóvel. Este olhar mais de perto me levantou questionamentos sobre o investimento em pesquisa e tecnologia no Brasil, e o que encontrei não foi muito animador.



O nosso país vem diminuindo cada vez mais os investimentos voltados a área de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial (PD&I), em todos os âmbitos. O governo federal, por exemplo, tinha um orçamento de cerca de R$ 10 bilhões para o então Ministério de Ciência e Tecnologia em 2010. Essa pasta foi agregada ao Ministério das Comunicações e, em 2017, o orçamento passou para R$ 4,8 bilhões. E se em sete anos caiu para metade, a realidade atual é ainda pior, pois o investimento total em Ciência e Tecnologia em 2018 não deve passar de R$ 1,4 bilhão. A situação é mais preocupante do que se imagina, uma vez que a história já mostrou que pesquisa e inovação, principalmente com foco no mercado, são o alicerce dos países desenvolvidos e o trunfo dos países que se desenvolveram. São os estudos realizados nas universidades que dão base para a criação de novos medicamentos, instrumentos e equipamentos tecnológicos. Aliás, estamos vivendo uma era ultratecnológica, onde nenhum país pode se dar o direito de não investir em tecnologia. Mas o Brasil tem suprido essa falta por meio da importação de inovações e, na falta de base para os cientistas nacionais, exportando mentes brilhantes da nossa ciência.

É preciso que tanto sociedade quanto o governo sejam “capazes de entender que para aumentar a produtividade brasileira é preciso investir em inovação”, citando o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco. O investimento em pesquisa e novas tecnologias tem consequências muito mais amplas do que se imagina. A inovação tecnológica pode aumentar a longo prazo a produtividade brasileira, que por sua vez é peça fundamental no aumento, inclusive, da renda da população sem gerar inflação. De acordo com Carlos Pacheco, esta produtividade está estagnada há 25 anos. Por isso, políticas públicas que possam incentivar a inovação e a pesquisa em nosso país são essenciais para que o Brasil de desenvolva economicamente também.

É fato que o Brasil é um dos países que, até então, geram mais cientistas e pesquisadores brilhantes em todo o mundo. Por isso é preciso uma base para que esses estudiosos possam trabalhar, desenvolver e patentear novas tecnologias para o país e para exportar para outras nações também. Exportar nossos “cérebros” para países que aplicam em pesquisa pode ser um tiro pela culatra, pois chegará o momento em que o Brasil vai importar tecnologia desenvolvida por brasileiros lá fora (se é que já não faz isso).