Nossa opinião e a gestão de pessoas

Opinião Gestão de pessoas

No início desse século, era famosa a história de uma empresa de cosméticos que temos aqui na região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com os relatos, o proprietário “incentivava” todos os funcionários a participarem de um pequeno culto evangélico, que acontecia diariamente nas dependências da empresa, no início e ao final do dia.

Pelo que se dizia, a participação era facultativa. Mas, a ausência era extremamente mal vista. Aqueles que não eram frequentes certamente não tinham vida longa nessa organização. Nas rodas de amigos, a pergunta era:



– Você trabalharia numa empresa assim?

Bom, não sei se a prática ainda perdura, mas o fato é que a fábrica ainda existe. E com certeza, durante todos esses anos, passaram por lá pessoas que corroboraram a fé do dono e outras que não.

O contexto atual

Hoje, vivemos numa realidade em que nossas opiniões e crenças estão expostas nas redes sociais. E o Brasil está extremamente polarizado, principalmente no que tange à política. Mas não só a ela. Nossas preferências, hábitos, forma de pensar e agir são constantemente monitorados pelos recrutadores que podem saber quem somos (ou ter uma impressão sobre nós) muito antes de nos conhecer.

Então, pense no seguinte cenário. Uma empresa familiar cujos valores políticos coadunam com o candidato A, enquanto você faz propaganda para o candidato B. Numa situação democrática, isso não deveria ser problema algum. Mas lembre-se do quadro de radicalismo que está instaurado.

Você pode ser eliminado por questões desse tipo sem nem ter a chance de se posicionar no processo. E nem vai saber o motivo.

– Mas se é assim, eu também não gostaria de trabalhar nessa empresa!

Sim, essa é uma forma genuína de pensar. Aliás, quando falamos de alinhamento por propósito, conduzir a carreira passando apenas por organizações em que se acredita e endossa é algo até primordial. Desde que seja uma escolha consciente.



Porém, é preciso lembrar que temos quase 13 milhões de desempregados, segundo os dados oficiais. Acredita-se que sejam mais de 30 milhões, levando em conta aqueles que desistiram de procurar. Imagino que aqueles que estão dispostos a abrir mão de oportunidades por discordarem dos valores de certa empresa são minoria.

Bom senso

É muito simples recomendar evitar a polêmica nas redes sociais. Ou mesmo adotar uma postura moderada. Quando você decide, de forma deliberada, se posicionar em certo assunto de forma amplificada, você precisa entender quais são as consequências desse ato.

Parece-me que muita gente ainda não entendeu que um post no Facebook é bem diferente de um comentário em uma mesa de bar. Há pessoas realmente interessadas em demonstrar sua raiva, seus preconceitos e desvios de conduta para o máximo de gente que for possível.

Veja, por exemplo, um caso que viralizou de um sujeito que resolveu se posicionar contra os nordestinos após as eleições do primeiro turno de 2018 em sua página pessoal e foi repreendido pelo chefe baiano.

– Isso são casos extremos, até concordo. Mas então não posso falar mais nada?

Você, eu e qualquer outra pessoa podemos falar o que quisermos, dentro dos limites da lei. Por mais absurda que seja uma opinião, caso não esteja tipificada como crime, você tem o direito a tê-la e a manifestá-la.

É claro, um posicionamento misógino é bem diferente de uma simples preferência futebolística. Mas você precisa ter ciência, de uma vez por todas, que será avaliado por ambos. As pessoas formam julgamentos umas sobre as outras o tempo todo. E se baseiam nas informações que dispõem no momento, muitas vezes menosprezando outros fatos.

Eu conheci um sujeito que nutria um projeto voluntário que ajudava mais de 200 crianças. É muito conhecido e bem quisto na sua comunidade. Mas uma vez, ele fez um post no Instagram dando a entender que as mulheres deveriam ser submissas, de certa maneira. Passou a ser visto como persona non grata em todos os blocos de carnaval da cidade, que são bastante engajados nas causas pelos direitos e empoderamento feminino.

O fato é que vivemos num grande Big Brother. O modelo de currículo tradicional tende a acabar. As empresas passaram a levar em conta outras formas de apresentação e de demonstração de competências.

A quantidade de dados disponíveis sobre quem você é e qual sua forma de pensar só aumenta. Está cada vez mais difícil manter aquela linha de pensamento de que a vida pessoal e a profissional não se misturam. Suas chances de sucesso nas empresas estão cada vez mais vinculadas a quem você é na essência.

Você contrataria ou promoveria a pessoa que você é? E a pessoal que você parece ser? Descubra o mais rápido possível. E, se necessário, mude.

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Consultor de Gente e Gestão na RAIDHO Consultoria. Atuo em projetos que integrem o crescimento de negócios ao desenvolvimento de pessoas. Graduado em Administração pela UFMG, com especialização em Gestão de Projetos pelo IETEC, Coach pelo Instituto Brasileiro de Coaching (IBC) e Mentor de Startups na Techmall.