O que o Trivago tem a ver com seus investimentos

Trivago

Ifood, Uber, Air Bnb, Trivago, Netflix. A forma como fazemos uma série de coisas mudou radicalmente nos últimos anos.

As próximas gerações, provavelmente, irão passar a vida inteira sem saber o que é precisar ligar para a cooperativa de táxi e esperar 15 a 20 minutos para vê-lo chegar.



Tenho uma irmã de 12 anos que nunca entrou em uma locadora de vídeos e jamais saberá o que é ter de rebobinar um filme antes de devolvê-lo.

Mas o que isso tem a ver com investimentos?

Nos últimos dias 20, 21 e 22 de setembro, participei da Expert XP, a maior feira de investimentos antes da América Latina, hoje do mundo.

Durante esses dias, tornou-se ainda mais nítido que a forma como investimos no Brasil está passando por uma revolução tão grande quando foi o Uber.

Destaco que a revolução é no Brasil, pois nos EUA e em outros países desenvolvidos, isso já se trata de uma realidade. Mas que mudança paradigmática é essa? A palavra-chave é a desbancarização.

No Brasil, os bancos ainda concentram 95% dos investimentos, ao passo que em economias maduras, os números são sempre menores que 20%. Nos EUA, a maior economia do mundo, os bancos são responsáveis por apenas 2% dos investimentos da população. Os dados são de uma consultoria privada realizada pela XP Investimentos.

No movimento capitaneado pela própria XP Investimentos, outras players como Órama, Modal, EasyInvest, Rico, Genial despontaram como grandes concorrentes dos principais bancos brasileiros.

A concorrência foi tão relevante que fez os bancos se mexerem. No ano passado, o Itaú lançou a sua plataforma 360, para clientes Personnalité. Já esse ano, o Bradesco Prime iniciou uma forte campanha publicitária relacionada à gestão de patrimônio e até mesmo o maior banco de investimentos da América Latina, o BTG Pactual, antes reservado aos multimilionários, embarcou no mercado de varejo da plataforma aberta, com o BTG Pactual Digital.

Recentemente, Itaú e Banco do Brasil também iniciaram campanhas publicitárias falando que zeraram suas taxas para investir em Tesouro Direto, uma condição que as corretoras já ofereciam há anos.

Mas por que essa reação dos bancos e qual a mudança que as corretoras trouxeram à forma de investir?

Quando falamos de corretora no Brasil, muitos ainda a associam exclusivamente à bolsa de valores, mas hoje não é mais assim.

Na verdade, elas funcionam como uma plataforma aberta, onde, no mesmo lugar, encontramos vários tipos de investimentos, de vários bancos e instituições financeiras, proporcionando mais competição e maior rentabilidade. Isso tudo à taxa zero.

Além disso, as plataformas abertas também permitiram ao cliente de varejo acesso a produtos que antes reservados a milionários: é o caso do COE, por exemplo (quem sabe tema de um outro a artigo) e de diversos fundos de investimento. Afinal, vivemos na era do acesso e da informação.

Para exemplificar, pense nas corretoras como uma espécie de Trivago do mercado financeiro: não há porque ir no site do hotel, quando ali já encontramos a comparação de vários preços, sem custos.



Imagine também que o Trivago permite que você veja os preços de hotéis tão sofisticados que antes não apareciam nas pesquisas, eram reservados para clientes private. Foi exatamente isso que as corretoras fizeram e revolucionaram o mercado.

Por último, algumas corretoras também oferecerem um grande diferencial: a assessoria de investimentos.

Hoje no sistema bancário, com mil pratos rodando em cada mão, o gerente se vê obrigado a atender 500 clientes, bater metas leoninas de vendas de produtos e ainda entender sobre investimentos e mercado financeiro para atender seus muitos clientes. A conta não fecha.

O assessor, especializado em investimentos e certificado para tanto, possui a proposta de auxiliar a desbancarização do cliente, entendendo suas demandas atuais e dando todas as informações para a construção, a quatro mãos, de uma carteira de investimentos personalizada para cada cliente.

Como o assessor não se trata de um funcionário e o seu ganho depende da satisfação do cliente, os interesses ficam muito mais alinhados, deixando-se de lado as metas e a necessidade de se vender seguros, previdências e capitalizações.

Não tenho dúvidas que, com a maior quantidade de informações hoje disponíveis, o cliente se tornará cada vez mais exigente quanto ao seu portfólio de investimentos, impossibilitando os bancos de lucrarem por muito mais tempo com suas taxas descabidas e produtos ruins.

Com o advento das corretoras e dos bancos digitais, a minha irmã de 12 anos provavelmente nunca saberá o que é pagar para fazer uma transferência bancária, a TED, tampouco o que é pagar para investir em Tesouro Direto, por exemplo.

O movimento já está acontecendo. Só na XP Investimentos, já são quase R$ 200 bilhões investidos, de aproximadamente 1 milhão de clientes. As coisas estão mudando no Brasil.

E você? Vai mudar junto?



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Sou sócio e assessor de investimentos na Arcani Investimentos, um escritório de assessoria com mais de R$ 200 milhões sob custódia, credenciado à XP Investimentos. Na parte acadêmica, sou advogado, bacharel em Direito pela UERJ, graduando em Psicologia pelo IBMR e concluinte do MBA em Gestão de Negócios pela Universidade Cândido Mendes. Descobri minha missão de ajudar as pessoas quando me formei em Coaching Pessoal e Profissional pela Faculdade Mackenzie Rio, em convênio com a Smart Coaching, e comecei a atuar também como coach e palestrante. Hoje, auxilio meus clientes a viverem com mais inteligência financeira, investindo melhor e com mais planejamento.