Renda Fixa: começando pelo começo

As palavras “renda fixa” costumam ser um alento ao investidor mais conservador. Mesmo quem não tem muita familiaridade com o mundo dos investimentos, costuma ter noção de que a renda fixa é “segura” e alguns, especialmente dentre os mais velhos, diriam que só investem em renda fixa e imóveis.

Prezando pelo seu tempo, meu objetivo é sempre trazer as informações que você realmente precisa, sem entrar em uma análise extremamente detalhada, mas quando falamos de Renda Fixa, é tanta informação que achei melhor fazer um texto somente de introdução.



Nesse texto, então, você vai:

  1. Entender como funciona e o que é a renda fixa;
  2. Qual é a rentabilidade que você pode esperar;
  3. Como é a tributação na renda fixa;
  4. Qual sua segurança ao investir;

 

O QUE É E COMO FUNCIONA

A renda fixa é um empréstimo. O mecanismo é assim: você compra um título – e temos vários desses, como CDB, LCI, etc. – e o banco, a empresa ou o governo paga a você o que você investiu – chamado de “principal” – acrescido de uma taxa de juros combinada. Por isso, o nome: como a taxa é combinada, a rentabilidade é, até certo ponto, “fixa”.

 

OS 2 GRANDES GRUPOS

Quando falamos de títulos de renda fixa, temos dois grandes grupos:

  1. Títulos Públicos: aqui, você empresta dinheiro para o governo. O mecanismo é o famoso Tesouro Direto, onde temos o Tesouro Selic, o Tesouro IPCA e outros títulos.
  2. Títulos Privados: nesse caso, você empresta dinheiro para algum banco ou alguma empresa e, como opções, temos uma verdadeira sopa de letrinhas: CDB, LCI, LCA, CRI, etc.

OS 3 TIPOS DE TAXA

Nesses dois grupos, veremos três tipos de renda fixa. Vamos lá?

  1. Títulos Pré-Fixados: esses títulos têm uma taxa anual de juros combinada. Um exemplo é um CDB com uma taxa de 10% ao ano. Não importa o que aconteça no mundo, a ideia é que o CDB continuará te rendendo os juros combinados, o que pode ser bom ou ruim.
  2. Títulos Pós-Fixados: esses títulos acompanham algum índice. Um exemplo comum é um CDB com uma taxa combinada de 100% do CDI. Isso quer dizer que se o CDI (pera que já te explico o que ele é) for 9% ao ano, o CDB te pagará esses juros. Caso o CDI aumente ou abaixe, sua rentabilidade também acompanhará.
  3. Títulos Híbridos: por último, há aqueles que combinam as duas modalidades. É o caso de uma debênture, por exemplo, que remunerará IPCA + 6% ao ano. Ou seja, se o IPCA (nosso principal índice de inflação) subir ou descer, sua rentabilidade também acompanhará, mas os 6% estarão sempre mantidos.

 

RENDE BEM OU MAL?

Os ativos de renda fixa estão sempre atrelados, salvo algumas exceções no Tesouro Direto, aos índices de juros e/ou inflação no Brasil, o que quer dizer que, se os juros estão altos, a renda fixa, de forma geral, renderá melhor.

A taxa mais utilizada para comparação dos ativos de renda fixa é o DI, também chamado de CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O CDI é a taxa que os bancos usam quando emprestam dinheiro um ao outro e, numericamente, é muito, muito próximo à SELIC (que você já deve ter ouvido falar). Hoje, a SELIC está 6,5% ao ano.

Em geral, um CDB (título de renda fixa privado) é negociado dessa forma:

CDB do Banco X >> Vencimento 31/12/2022 >> Taxa anual: 120% CDI

Isso quer dizer que se o CDI for 1% ao mês, por exemplo, o CDB renderá 1,2%.

Bons investimentos estarão sempre acima do CDI, com exceção dos isentos de imposto de renda, como falaremos mais abaixo.

Hoje, em 28/06/2018, o CDI está aproximadamente 0,5% ao mês – em média – enquanto a poupança rentabiliza aproximadamente 0,37% ao mês.



 

IMPOSTOS EM ATIVOS DE RENDA FIXA

Outro detalhe que você precisa saber: a tributação na renda fixa é regressiva, quanto mais tempo você deixa o dinheiro, menos imposto você paga. O imposto é sempre pago sobre a rentabilidade e prazo começa a contar a partir da data de aplicação.

O Imposto sobre a Renda (IR) funciona assim:

  • 22,5% até 180 dias corridos
  • 20% entre 181 e 360 dias corridos
  • 17,5% entre 361 e 720 dias corridos
  • 15% após 720 dias corridos

Também temos o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que penaliza aqueles que aplicaram os recursos e retiram em pouco tempo. Ele também funciona de forma regressiva, começando em 96% no dia seguinte ao da aplicação até ser zerado a partir do 30º dia. Ou seja, se você aplicar e tirar no dia seguinte, todo seu rendimento será tributado em 96% de IOF.

 

APLICAÇÕES ISENTAS DE IMPOSTO DE RENDA

Algumas aplicações de renda física serão isentas de imposto de renda somente para pessoas físicas. São elas: LCI, LCA, CRI, CRA e as Debêntures Incentivadas.

Por serem isentas, você geralmente as encontrará com uma taxa menor do que os outros títulos. Um exemplo:

Investindo R$ 100.000,00 em um CDB pós-fixado de 100% CDI (vamos considerar que o CDI está 1% ao mês) com vencimento em três anos, teremos, ao final R$ 143.076,87 e pagaremos 15% de imposto de renda sobre a rentabilidade, ou seja, o que entrará na sua conta será mesmo o valor de R$ 136.615,34.

Investindo os mesmos R$ 100.000,00 em uma LCI pós-fixada de 90% CDI (considerando a mesma taxa), com vencimento em três anos, teremos, ao final, já sem imposto de renda, o valor de R$ 138.064,48.

 

O FGC

Segundo o Banco Central, “o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra um mecanismo de proteção aos correntistas, poupadores e investidores, que permite recuperar os depósitos ou créditos mantidos em instituição financeira, até determinado valor, em caso de intervenção, de liquidação ou de falência.

Ou seja, lembra que, na renda fixa, você empresta dinheiro para o banco? Se esse banco quebrar, o FGC devolve o que você tinha investido até um limite determinado.

Hoje, esse limite está assim: até R$ 250.000,00 por CPF, por instituição.

(Para aplicações a partir de 21 de dezembro de 2017, o pagamento terá um teto de R$ 1.000.000,00 a cada quatro anos).

Ou seja, se você tem R$ 300.000,00 no Banco X, você não está totalmente protegido pelo FGC, mas se você possui R$ 150.000,00 em dois bancos distintos, você estará protegido totalmente pelo FGC em ambas as aplicações.

Além de melhoras taxas, essa também uma das vantagens de contratar títulos privados via uma corretora de valores. No site da corretora, você conseguirá ofertas de diferentes bancos, podendo aplicar só o limite do FGC, mas atenção!

Não aplique R$ 250.000,00 em cada banco, pois a partir do primeiro dia que o investimento gere juros, os juros não estarão mais protegidos. Sempre faça a conta de quanto você deve investir para que, no vencimento, o valor aplicado fique limitado a R$ 250.000,00.

Nem todos os títulos de renda fixa são protegidos pelo FGC. A lista do que está protegido pelo FGC, retirada diretamente do site do Banco Central, segue abaixo:

  • Depósitos à vista ou sacáveis mediante aviso prévio;
  • Depósitos de poupança;
  • Depósitos a prazo, com ou sem emissão de certificado (CDB/RDB));
  • Depósitos mantidos em contas não movimentáveis por cheques, destinadas ao registro e controle do fluxo de recursos referentes à prestação de serviços de pagamento de salários, vencimentos, aposentadorias, pensões e similares;
  • Letras de câmbio;
  • Letras imobiliárias;
  • Letras hipotecárias;
  • Letras de crédito imobiliário;
  • Letras de crédito do agronegócio;
  • Operações compromissadas que têm como objeto títulos emitidos após 08.03.2012 por empresa ligada.

 

CONCLUSÃO

Por tudo que falamos, a renda fixa ainda se apresenta como um investimento bem interessante para quem quer poucas flutuações em sua carteira, mas fique atento, pois, no cenário atual, ela não irá te trazer altas rentabilidades.

A garantida do FGC e já saber, de antemão, o quanto você irá receber certamente acalenta o investidor mais conservador.

Mas saiba que o mundo não acaba na renda fixa. No longo prazo, suas aplicações, por terem menor risco, costumam também ser menos rentáveis.

Por isso, é sempre bom contar com a ajuda de um profissional para que crie uma carteira de investimentos adequada ao seu perfil e momento de vida.

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