Domingo, umas 7:30 da manhã. Rolei para um lado e para o outro da cama e não queria sair dali. Estava quentinho, gostoso, aconchegante.

De repente, comecei a escutar os ruídos da vida lá fora. E pulei da cama, já pensando que tinha que fazer isso ou aquilo. Na verdade, esse pulo da cama me deu uma saudade enorme de um domingo qualquer, há muito anos, onde a vida corria num ritmo diferente.



Domingo era dia de embelezar um pouco mais a casa, apreciar a paisagem da janela, ir almoçar com os pais. Em dias de verão, ir à praia, curtir o sol, ouvir as ondas indo e vindo, recarregando nossas energias para recomeçar o trabalho na segunda.

Hoje, já levanto pensando em como aproveitar o dia para adiantar o que for possível e começar a semana com menos pressão. Ou vejo que enchi a agenda como se domingo fosse um dia de trabalho! Tá certo isso, produção? Não deveríamos ter essa pausa para cuidar de coisas pessoais que não cabem no meio da semana, para conviver com a família, com os amigos, e até descansar?

Certeza que muitos de vocês que estão me lendo se identificam com isso. Já não temos o tempo de “fazer nada”. O tanto que a tecnologia nos trouxe de facilidades e de ferramentas de produtividade também nos encheu cada minuto do dia e da semana de possibilidades para nos ocupar durante todo o tempo que tivermos disponível.

Já não existe o tempo de estudar, o de trabalhar, o de descansar. É tudo uma coisa só! Cada minuto que temos “livre”, nos voltamos para o smartphone. Em alguns casos, vamos aproveitar para aprender alguma coisa em um dos livros que temos carregados no iBooks ou no Kindle, em um aplicativo de línguas ou de marketing, ou até de meditação. Em outros, vamos para o LinkedIn, para o Facebook, Instagram ou outra rede social.

Esse movimento vem da necessidade de estarmos sempre atualizados e acompanhando o que está passando no mundo, esse mundo que ficou tão pequeno e cabe na palma da mão!

FOMO ou o medo

Não podemos parar e ter um momento “fazer nada” por que nos assolará o FOMO (do inglês Fear of Missing Out), esse medo de perder alguma coisa e ficar por fora. E se estivermos por fora, desatualizados, perderemos oportunidades, não seremos vistos, nem lembrados. Isso nos gera um tipo de stress que, sim, pode ser bastante perigoso. Quer coisa pior?

Ahhhhh.. tem coisa pior! O burnout! O burnout é o colapso total. Sugiro a leitura do artigo “Eu e meu burnout: o dia que quase entrei em colapso” do Mauro Segura. Ele escreve: “O stress, porém, quando leve, é muito positivo, pois gera prontidão, energia e iniciativa, nos deixando mais produtivos. Por outro lado, o stress excessivo e contínuo pode nos levar a um quadro de insatisfação e frustração, que são os elementos iniciais para uma depressão. A passagem de um cansaço crônico, ou depressão recorrente, para um quadro de burnout é muito parecido com aquela história do sapo numa panela com água quente.”

Esse é o caso extremo, o fim da linha. Mas vamos pensar direitinho o que estamos fazendo com nosso corpo e nossa mente? Até onde vamos esticar a corda?

FOMO x JOMO

Em contrapartida ao FOMO, há anos se criou a sigla similar JOMO (Joy of Missing Out), que significa a alegria de estar perdendo algo. A ideia era trazer a discussão sobre o momento de parar com a necessidade de estar conectado 24 h/dia para estar por dentro de tudo o que estivesse acontecendo, mas extrapolou para o outro extremo que seria o de não se importar com nada do que está passando nas redes. O tempo certo para parar é um reflexo do que realmente necessitamos, do que nos faz feliz, do que trará um futuro melhor para cada de um de nós. Nem viver grudado, nem chutar o balde e se alienar.

Sim, precisamos nos reinventar, nos atualizar. Entretanto também é importante buscar o equilíbrio entre a ocupação e o ócio, entre a produção e o descanso, entre o tempo dedicado ao trabalho e ao estudo, e à família e ao lazer.

Veja que esse balanço também pode garantir o seu trabalho no futuro. Como as máquinas vão substituindo trabalhadores nas tarefas mais mecânicas, nos sobrarão as funções que estejam relacionadas aos cuidados com as pessoas, à criatividade, às emoções, pelo menos até que as máquinas também sejam capazes de replicá-las.



Por isso, já é fundamental desenvolver habilidades interpessoais e construir relações genuínas e enriquecedoras. Para isso, precisamos nos desconectar das redes e nos conectar com as pessoas. Precisamos estar saudáveis e em condições de conviver de forma aberta, interessada e produtiva com aqueles que estão à nossa volta e com os novos que venham.

FOMO ou JOMO, são síndromes de um desequilíbrio, da nossa incapacidade de lidar com o excesso de informação que temos hoje, e às vezes de saber que prioridade tem cada uma das coisas em que estamos envolvidos. Todos sentimos um tanto de FOMO e de JOMO em certos momentos, e não é para ninguém se preocupar, a menos que se torne recorrente e faça sofrer.

Quando isso acontece, o que fazer? Ahhh… você precisa parar e refletir. Provavelmente está faltando foco nas suas prioridades. Ou você nem as têm definidas. Nessa hora, é que você tem que olhar para dentro e buscar o que te move, o que você quer fazer, onde você quer chegar. Em outras  palavras, você precisa se conhecer melhor.

A partir daí, é que poderá estabelecer suas prioridades e lutar para ter foco e trabalhar nelas. Digo lutar porque, nesse mundo de distrações, é bem difícil mantê-lo. Vemos a maioria das pessoas reclamar disso. Mas é o que temos que fazer!

Tudo isso é parte do exercício de autoconhecimento e passa à estratégia que o levará ao que você realmente quer para sua vida. Não por acaso, esses são os pilares da Gestão de Marca Pessoal. Um bom plano ajuda a viver melhor nesse mundo digital e escapar dessas síndromes recentes que podem nos pegar a qualquer momento.

Sem isso, você continuará usando o domingo como se fosse dia útil e não desfrutará da sua cama quentinha e aconchegante.

Precisa de ajuda para desenvolver o programa de Gestão da sua Marca Pessoal? Fale comigo!



Author: Deize Andrade

Alguém que adora impulsionar as pessoas a revelar o seu melhor! Estrategista de Imagem e Marca Pessoal, com especialização em Imagem Profissional e pós-graduação em Personal Branding pela Universidade de Blanquerna em Barcelona, Espanha. Com um método prático e objetivo para ajudar profissionais no planejamento e desenvolvimento de suas carreiras, contribuo para que atinjam seus objetivos e alcancem mais satisfação em suas vidas.